Neste primeiro ano da competição Novos Olhares do Festival Internacional de Paraty, os desafios não foram poucos. O principal deles foi pensar qual seria exatamente esse grupo de filmes e o que gostaríamos de apresentar com eles para, consequentemente, moldar uma fôrma para os próximos anos. Nossa primeira certeza era de que deveríamos contemplar os novos talentos, decidindo apresentar até terceiros longas-metragens. Além disso, que essa seleção deveria ser a mais abrangente possível em termos de espaços físicos, abraçando filmes de países e culturas as mais diversas, e finalmente que o cinema enquanto arte fosse privilegiado.
O processo de seleção em si passou pelos caminhos comuns a todo festival: a caça a filmes frescos para nosso público, as negociações com distribuidoras estrangeiras, as dúvidas e as inevitáveis escolhas que têm que ser feitas, em especial quando se trata de uma competição de apenas oito títulos. O resultado não poderia ter sido mais satisfatório para a criação desse nosso novo olhar, resultando em um grupo de filmes de universos diferentes, mas com uma força cinematográfica em comum, e que deixam claros seus espíritos inovadores dentro da produção internacional do último ano.
O cinema francês, sempre em renovação; o cinema chinês da sexta geração; a contundência do cinema sul coreano contemporâneo; a constância em diversidade e alta qualidade do cinema argentino; a vibração do cinema mexicano firmada desde o fim dos anos oitenta; a força do novo cinema romeno que nos últimos dez anos ganhou notório reconhecimento internacional; a poesia do novo cinema malaio também despontando internacionalmente e que já vêm sendo exibido aqui no Brasil; e finalmente a mais recente cinematografia em fervor, a grega, estão muito bem representados nessa competição e concorrem pelo prêmio de melhor filme do festival, que consiste em um pacote de apoios e um suporte financeiro para o seu lançamento no Brasil.
Convidamos três diretores, com cinematografias bem distintas, mas com mentes igualmente bastante abertas, para a difícil tarefa de premiar o filme que traduza mais fielmente os requisitos de inovação e ousadia propostos nesse primeiro ano de competição. |
JURI
Jerzy Skolimowski
Com mais de 20 filmes, a obra do diretor polonês Jerzy Skolimowski inclui o vencedor do Urso de Ouro em Berlim The Departure (1967), o vencedor do Grande Prêmio do Júri de Cannes The Shout (1978), e Lightship (1985), escolhido melhor diretor no Festival de Veneza. Skolimowski também colaborou com Roman Polanski no roteiro de Faca na água (1961). Em 2008, voltou a Cannes com o thriller Quatro noites com Anna; e seu último filme, Essential Killing (2010), ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza.
With over 20 films, Polish director Jerzy Skolimowski’s work includes the Berlin Golden Bear winner The Departure (1967), Cannes Grand Prix winner The Shout (1978), and The Lightship (1985), for which he won best director at the Venice Film Festival. Skolimowski also collaborated with Roman Polanski on the screenplay for Knife in the Water (1961). In 2008, he returned to Cannes with the thriller Four Nights with Anna; and his last film, Essential Killing (2010), won the Jury Grand Prix at the Venice Film Festival.
Daniel Burman
No cenário do cinema argentino contemporâneo, Daniel Burman é um dosprincipais talentos. Produtor, diretor e roteirista, está ativamente envolvido na política cinematográfica de seu país, sendo membro fundador e Vice-Presidente da Academia Nacional de Artes, Cinema e Audiovisual. Diretor estabelecido, tem em sua filmografia destaques como O abraço partido (2004), Grande Prêmio do Júri e melhor ator (Daniel Hendler) no Festival de Berlim; Direito de família (2006); e Ninho vazio (2008). Seu filme mais recente foi Dois irmãos (2010).
In the setting of contemporary Argentine cinema, Daniel Burman is a major talent. Producer, director and screenwriter, He is actively involved in his country’s film policy, being a founding member and Vice-President of the National Academy of Arts, Cinema and Audiovisual. An established director, he has such highlights in his filmography as Lost Embrace (2004), Grand Jury Prize and Best Actor (Daniel Hendler) at the Berlin Film Festival, Family Law (2006) and Empty Nest (2008). His most recent film is Brother and Sister (2010).
Marília Rocha
Uma das integrantes da TEIA, centro de produção audiovisual, Marília Rocha é uma cineasta mineira, diretora dos filmes Aboio (2005), melhor filme no festival É Tudo Verdade; Acácio (2008); e A falta que me faz (2009), reconhecidos em diversos festivais no Brasil e no exterior. Em 2011, foi homenageada pelo festival Visions du Réel, na Suíça, que dedicou uma mostra especial aos seus trabalhos.
One of the members of TEIA, an audiovisual production center, Marilia Rocha is a filmmaker from Minas Gerais, and directed the films Cattle Callers (2005), best film at the It’s All True festival; Acácio (2008); and Like Water Through Stone (2009), recognized in Brazilian and international festivals. In 2011 she was honored by the Visions du Reel festival, in Switzerland, which dedicated a special exhibition of her works. |